Chegar aos 60, 70 ou 80 anos não significa que o corpo precisa parar. Na verdade, para muitas pessoas, essa fase da vida tem se tornado justamente o momento de começar a caminhar, fazer musculação, nadar, pedalar ou até descobrir a corrida.
E esse movimento está aparecendo nos números.
No Estado de São Paulo, dados divulgados em 2026 mostram que 52% das pessoas com mais de 60 anos praticavam alguma atividade física em 2025. Em 2019, eram aproximadamente três em cada dez.
É uma mudança importante de comportamento e também de percepção sobre o envelhecimento.
Mais do que buscar desempenho, muitas pessoas estão se movimentando para manter algo muito mais importante: autonomia para continuar vivendo bem.
Por que a atividade física se torna tão importante com o passar dos anos?
Com o envelhecimento, algumas mudanças naturais acontecem no organismo.
Pode ocorrer perda progressiva de massa muscular e força, redução da mobilidade e do equilíbrio e alterações na capacidade cardiovascular.
Isso não significa que perder independência seja inevitável.
A prática regular de atividade física pode ajudar a preservar justamente as capacidades necessárias para atividades aparentemente simples do cotidiano: levantar de uma cadeira, subir escadas, carregar compras, brincar com os netos, caminhar até algum lugar ou manter o equilíbrio ao se deslocar.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o envelhecimento saudável está diretamente relacionado à manutenção da capacidade funcional, ou seja, à possibilidade de continuar fazendo aquilo que é importante para cada pessoa.
O objetivo do exercício nessa fase, portanto, não precisa ser correr mais rápido.
Pode ser simplesmente continuar fazendo a própria vida acontecer.
Os benefícios vão muito além dos músculos
A atividade física regular está associada a diversos benefícios durante o envelhecimento.
Segundo a OMS, em adultos e pessoas mais velhas, manter-se fisicamente ativo está relacionado à redução do risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e quedas, além de benefícios para saúde mental, cognição e sono.
O Ministério da Saúde também destaca benefícios como:
melhora do equilíbrio e da postura;
manutenção da autonomia e independência;
fortalecimento de ossos e articulações;
melhora da saúde mental;
redução do isolamento social;
melhora do sono;
benefícios para memória, atenção e raciocínio.
Existe ainda um benefício que nem sempre aparece nas métricas de relógios e aplicativos: a socialização.
Uma caminhada com amigos, uma aula em grupo, uma academia ou um grupo de corrida pode criar novos vínculos e transformar o exercício em um compromisso prazeroso com outras pessoas.
Movimentar o corpo também pode ser uma forma de continuar participando ativamente da vida.
E por que a procura aumentou tanto?
Os números sugerem uma mudança interessante.
Dados divulgados pelo Governo do Estado de São Paulo em fevereiro de 2026 mostram que a proporção de pessoas com mais de 60 anos praticando atividade física passou de cerca de 30% em 2019 para 52% em 2025.
Outro levantamento da Fundação Seade já havia mostrado uma redução importante do sedentarismo entre a população paulista como um todo entre 2019 e 2024. O estudo também identificou aumento, entre pessoas com 60 anos ou mais, da parcela que pagava para realizar exercícios físicos.
Isso sugere uma procura crescente não apenas por caminhadas e espaços públicos, mas também por academias, aulas e serviços relacionados ao exercício.
É importante observar que esses números são referentes ao Estado de São Paulo e não devem ser usados para afirmar que exatamente o mesmo crescimento ocorreu em todo o Brasil.
Ainda assim, eles ajudam a mostrar uma transformação importante: envelhecer e permanecer ativo estão cada vez menos sendo vistos como ideias incompatíveis.
A própria oferta de espaços também está aumentando. Em 2025, por exemplo, a cidade de São Paulo contabilizava 1.477 Academias da Terceira Idade instaladas em praças e parques.
Precisa correr para ter benefícios?
Não.
Caminhar conta.
Dançar conta.
Nadar conta.
Fazer musculação conta.
Pedalar conta.
Subir escadas, realizar atividades recreativas e reduzir o tempo que se passa sentado também fazem parte de uma vida mais ativa.
A OMS reforça uma mensagem especialmente importante para quem está começando: qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma.
Para pessoas com 65 anos ou mais, as recomendações incluem atividades aeróbicas, fortalecimento muscular e exercícios que trabalhem equilíbrio e capacidade funcional. A OMS recomenda ainda atividades que combinem equilíbrio e força em três ou mais dias da semana para ajudar na prevenção de quedas.
Mas isso não significa que alguém sedentário precise cumprir todas essas metas logo na primeira semana.
Começar pequeno também é começar.
Como começar depois dos 60?
Se você passou muito tempo sem se exercitar, não precisa transformar sua rotina de uma vez.
Uma possibilidade simples é começar assim:
escolha uma atividade que você realmente goste;
faça caminhadas curtas em ritmo confortável;
aumente o tempo gradualmente;
inclua exercícios de força e equilíbrio conforme sua condição permitir;
use roupas e calçados confortáveis;
respeite os dias de descanso;
observe como seu corpo responde.
O Ministério da Saúde também orienta começar devagar e aumentar progressivamente duração e intensidade.
Uma caminhada de 10 ou 15 minutos pode parecer pouco quando comparada ao treino de outra pessoa.
Para quem está começando, porém, pode representar a primeira etapa de uma mudança enorme.
Seu ritmo também conta.
E se eu nunca fiz exercício?
Você não perdeu a oportunidade.
A atividade física não tem idade certa para começar.
É claro que condições de saúde, medicamentos, histórico de quedas, problemas cardiovasculares, limitações articulares ou outras situações podem exigir adaptações.
Por isso, pessoas com doenças conhecidas, limitações importantes ou que ficaram sedentárias por muito tempo podem se beneficiar de uma avaliação profissional antes de iniciar exercícios mais intensos.
O objetivo não é ter medo de se movimentar.
É encontrar uma forma de movimento compatível com o seu corpo de hoje.
Alguns sinais merecem atenção
Durante a atividade física, interrompa o exercício e procure orientação profissional se aparecerem sintomas como:
dor forte ou progressiva;
dor ou pressão no peito;
falta de ar intensa ou muito diferente do habitual;
tontura ou desmaio;
perda repentina de força;
palpitações acompanhadas de mal-estar;
dor que altera a forma de caminhar;
sintomas persistentes mesmo após o descanso.
Sentir algum esforço durante o exercício pode ser normal. Sentir que algo está claramente errado não deve ser ignorado.
Envelhecer ativo não é tentar voltar aos 20 anos
Talvez essa seja uma das mudanças mais bonitas acontecendo atualmente.
A atividade física na terceira idade não precisa representar uma tentativa de parecer mais jovem.
Ela pode representar liberdade.
Liberdade para caminhar sozinho.
Viajar.
Subir escadas.
Brincar com os netos.
Encontrar amigos.
Continuar descobrindo lugares.
Ou colocar um tênis pela primeira vez aos 65 anos e descobrir que uma caminhada no parque pode fazer parte da semana.
Os números mostram que mais pessoas estão fazendo essa escolha.
E não importa se o começo acontece aos 30, 50, 60 ou 70 anos.
Você não precisa acompanhar ninguém.
Comece com aquilo que é possível hoje.
Constância vence intensidade. Um km por vez.
Bora começar?
Se você conhece alguém que acha que “já passou da idade” de começar uma atividade física, compartilhe este artigo com essa pessoa.
Talvez o primeiro passo seja apenas uma caminhada amanhã.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS). Physical Activity. Atualização de 2024.
Organização Mundial da Saúde (OMS). Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour.
Organização Mundial da Saúde (OMS). Promoting Physical Activity for Older People: A Toolkit for Action.
Ministério da Saúde. Atividade física — Saúde da Pessoa Idosa.
Fundação Seade / Governo do Estado de São Paulo. Dados sobre prática de atividade física da população paulista.
Prefeitura de São Paulo. Academias da Terceira Idade, 2025.
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